Carnaval

CARNAVAL

 

          Conhecida como "Terra dos Papangus", Bezerros fica a 50 minutos do Recife e deve fazer este ano o maior carnaval de sua história. Localizada no agreste pernambucano, às margens da BR 232, tem uma população de 57 mil habitantes. A folia começa dez dias antes do carnaval, com o bloco "Acorda Bezerros", que ao som de orquestras de frevo, vai arrastar os moradores dispostos a sair às três da madrugada pelas ruas do centro, vestindo pijamas, camisolas e baby doll. Para participar, basta vestir a roupa de dormir e cair na farra. A concentração é na rua 15 de Novembro, no centro da cidade.

          No domingo de carnaval acontece o grande concurso de papangu, que vai escolher os melhores mascarados nas categorias individual, grupo, dupla e tradicional. Cerca de três mil papangus participam da disputa. Para brincar, é imprescindível que se tenha uma máscara. Fabricadas por artesãos locais, elas são verdadeiras obras de arte. São produzidas em diversos tamanhos e com várias finalidades: adorno para o carnaval, objetos de paredes e ainda como chaveiro. As mais sofisticadas são confeccionadas com gesso. Hoje, a tradição é passada de pai para filho. São mais de trinta oficinas de máscaras espalhadas pela cidade.

 

Tradição

          

          Segundo contam os moradores mais antigos de Bezerros, a brincadeira começou quando alguns homens quiseram brincar o carnaval sem serem reconhecidos, para despistar a atenção de suas esposas. A brincadeira foi pegando e a cada ano  aumenta o número de mascarados nas ruas. Durante o desfile pela cidade, os papangus bebem e comem angu de milho,  uma comida típica da região. Devido ao exagero no apetite de alguns foliões, originou-se o nome da festa: Papangu. A principal regra desta importante tradição carnavalesca é manter o sigilo sobre as máscaras que serão usadas, para que ninguém venha a ser reconhecido.

          Os primeiros Papangus que se tem notícia surgiram na década de 30. Eles eram chamados de Papangus Pobres porque trajavam roupas velhas, rasgadas com remendos, meias nas mãos, máscaras rústicas confeccionadas com papel jornal e goma. A história foi mudando e a partir dos anos 60, as roupas velhas foram substituídas por caftas - batas longas e estampadas. Porém a máscara continuava sendo fabricada com os produtos originais: papel jornal e goma. Outro ponto foi mantido: trocavam de roupa em lugares desconhecidos e continuavam a "visita" aos amigos. A consolidação da tradição veio em 1990 quando Bezerros surgiu no cenário nacional e ficou conhecida como a Terra do Papangu.

    

 

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  Veja também:
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